Aqui na Teia, como vemos a concepção de escola democrática?

   Vemos nas diversas resoluções que se tornam necessárias no dia a dia das crianças, que várias vezes são questões muitos simples de serem resolvidas por nós adultos, de uma forma vertical, sem grandes análises ou pensamentos para chegar à resolução. Formas que simplesmente reproduzimos daquilo que vivemos e recebemos em nossa infância sem questionamentos e ao mesmo tempo, sem comprometimento. Era assim e pronto. Obedecíamos enquanto imposição e ao mesmo tempo sem compromisso. As soluções para determinadas questões não eram elaboradas e o cumprimento das mesmas simplesmente aconteciam por medo, vindo da necessidade de obedecer e que, ao mesmo tempo, quando esse não se fazia presente, os esquecíamos. Chegamos então, na vida adulta, com uma ideia muito vaga do compromisso real.
Aqui, coisas bem simples como: quanto tempo a criança poderá ficar se divertindo em um determinado brinquedo; poderemos ou não trazer bichos à escola; teremos o dia do brinquedo; como iremos organizar nossa sala de registro; ou até o que produziremos a partir de determinado projeto proposto, são discussões muitas vezes longas e calorosas. Isso ocorre porque, para eles, viver o ‘porquê’ de determinadas resoluções, chegar a conceitos e organizações e, principalmente, depois dar conta, se comprometer com aquilo que foi definido, é algo bastante trabalhoso.

   O constante trabalho de autoconhecimento possibilita a percepção de suas emoções, seus sentimentos, desejos e dificuldades. Isso se dá no convívio diário quando são acompanhados pelos nossos educadores, não só durante a rotina, mas também em momentos como as rodas de conversa e nossas Assembleias. As assembleias são os melhores momentos para que eles tenham condição de se colocarem, com seus desejos, dúvidas, ideias e, ao mesmo tempo, darem mais um passo, pois poderão observar o mesmo nos outros e, a partir disso, exercitarem a cidadania, pois terão que pensar em si e, ao mesmo tempo, no outro e no coletivo. Aprender a tomar decisões em prol de uma comunidade e se responsabilizar por seus atos. Acreditamos que com todas essas competências se tornarão sujeitos e capazes de contribuir com um olhar mais sensível, com todo o sistema que envolve o nosso planeta, no sentido mais amplo da palavra ecologia. As assembleias são semanais e têm a função de gerir as relações cotidianas com as pessoas que participam do dia-a-dia, estudantes, educadores e funcionários.
Nas Assembleias acontecem as discussões e as deliberações dos combinados referentes aos conteúdos atitudinais, propostas de campanhas para os mais variados fins e é a partir delas que se estabelecem as relações e os compromissos de cada um na rotina escolar e dos eleitos: presidente, escriba e secretário (e vices). As diversas questões apresentadas partem, como princípio da escola, da observação do EU e da relação do EU-OUTRO sobre o que podem e como podem realizar na escola e o respeito mútuo.
É a assembleia que define no coletivo os limites dos direitos e deveres dos sujeitos em questão. É na participação da elaboração das regras que estudantes passam a compreender a necessidade das mesmas obtendo respeito e agindo de acordo com o que foi estabelecido coletivamente. Existe uma comissão de assembleia que constitui a mesa de organização deste espaço. Desta forma os estudantes participam de maneira direta da plenária, além da organização, sistematização e divulgação das resoluções da assembleia. Os cargos de presidente, escriba, secretario e respectivos vices são votados semestralmente, após ser realizada uma campanha pela escola.

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