Posted by on 31/07/2017

  A Teia é uma escola muito diferente, quanto mais falo dela para as pessoas, mais as pessoas querem conhecê-la. Tento explicar os processos, mas não é fácil entender como funciona algo tão democrático e humanista. Isso deveria ser simples, ser óbvio, ser inerente a todo ser ser humano: a humanidade. Mas sabemos que não é fácil viver com a liberdade de ser quem você é. A maioria de nós cresce padronizada, tentando sempre se adequar ao que é padrão, ao que é “o certo, o melhor”.

  O processo do planejamento da Teia Multicultural já começa de uma forma singular. Todo final de ano é escolhido o tema teatral que será desenvolvido no ano seguinte com os alunos do Fundamental I. O primeiro planejamento acontece em janeiro e, além do conteúdo didático a ser abordado nos semestres, há o trabalho de autoconhecimento, que é mais do que terapia de grupo ou vivência terapêutica. É “o viver juntos”. Os educadores, diretores e tutores ficam de 7 a 9 dias no sítio Sollua, em Araçariguama, pertinho de São Paulo, convivendo o tempo inteiro: dormindo, acordando e comendo juntos, fazendo fogueiras e brincando, numa dinâmica diferente do dia-a-dia do trabalho. São momentos importantes, que aproximam muito mais.

  Num processo de autoconhecimento as pessoas ficam mais sensíveis, se emocionam, sentem raiva, choram, é uma relação diferente que se estabelece e isso fortalece a união do grupo. Nesse trabalho as pessoas enxergam suas dores, suas necessidades, suas potencialidades, suas neuroses, sistemas que nem percebem e reproduzem na sua vida. Tudo isso está relacionado a se perceber, ter a intenção de trabalhar essas questões e ter um olhar mais limpo em relação à criança, um olhar mais amoroso, vendo que muitas vezes o que te fez sofrer também pode estar fazendo a criança sofrer. Os educadores são tocados pelos sentimentos da criança e fica mais fácil ter cuidado por quem se torna responsável. Por isso a Teia tem esse foco tão especial no autoconhecimento, em limpar essas questões nos educadores. É uma forma de perceber a melhor maneira de lidar com essa outra criança que está se formando, sensibilizar-se para esse outro momento com a criança.

   Durante esses dias no sítio, além da terapia de autoconhecimento, é pensado e organizado o trabalho que será realizado no Fundamental I em todo o ano, porque é uma sequência única para o ano inteiro, mas realizada em dois períodos. E para o Fundamental II, é planejado o semestre. Nas férias de julho também é realizado esse retiro no Sítio Sollua, com mais planejamento, autoconhecimento, muita meditação, reflexão sobre o semestre que passou e alinhamento do trabalho que está por vir. Que venham todos os tutores e profissionais da Teia Multicultural, revigorados e renovados para mais um semestre de trocas, aprendizagem mútua e muito amor.

 

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